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Novo LP resenhado no novo número da + Soma

julho 19, 2011

Já está disponível para download a revista + Soma #24, que traz uma ótima resenha sobre o LP Um Futuro Inteiro, escrita por Amauri Stamboroski Jr. Você pode baixar a revista completa em pdf no site da + Soma.

Eis a resenha transcrita:

De todos os aspectos temáticos da cultura brasileira, a psicodelia é um dos menos valorizados formalmente. Na terra da ayahuasca, o delírio é histórico, e imaginação e folclore se confundem num bailar que foi codificado e urbanizado, em dois momentos, pelos modernistas e pela Tropicália. Esta, por seu turno, faz nascer uma tradição psicodélica pop que nunca deixou de dar frutos, do sertanismo prog de Paêbiru ao formalismo virtuose do Violeta de Outono e outsiders-doidões como Daminhão Experiença.
Bonifrate despontou em uma nova geração nos anos 00 com seu combo Supercordas, unindo partes iguais de Beatles, Super Furry Animals e onirismo rural em sua obra-prima Seres Verdes ao Redor. Nascido de um pé na bunda, Um Futuro Inteiro é o terceiro solo do cantor e se junta a grandes álbuns inspirados por desilusões amorosas como Yoko do Beulah (em lista liderada por Blood on The Tracks, de Bob Dylan).
Apontando para influências que vão do coletivo americano Elephant 6 à freakologia Disneylândia do Mercury Rev, Bonifrate criou uma obra conceitual sobre amor e tempo e de quebra atualizou a doideira tupiniquim. Abrindo com a marcha linear inexorável da percepção temporal em “Esse trem não improvisa”, o disco segue implacável até a impressionante “Eugênia”, tour de force de dez minutos sobre não uma garota, mas um espectro. Amparado pelos ruídos climáticos do supercorda Felipe Giraknob e adornado com o sax de Alexander Zhemchuzhnikov, Bonifrate se distorce até perder a cabeça metaforicamente na catarse final.
“A Farsa do Futuro Enquanto Agora” representa abertamente os dois tempos do amor – paixão e dissolução – para encerrar com um sample de Mahler ao contrário, enquanto “O Vôo de Margarida” evoca um “sertão diabril” sobre um loop torto. A dolorida e libertadora “Cantiga da Fumaça” poderia ter saído de um momento mais lírico da primeira fase elétrica de Dylan, e a dissolução volta à baila no “é fundamental deixar as outras pessoas arrancarem pedaços meus” do samba torto “Antena a Mirar no Coração de Júpiter”. Nada aqui é mofo ou ferrugem: o disco acaba respirando com insuspeita atemporalidade. Ou como lembra o próprio Bonifrate no auge do derretimento de “Naufrágios”, “não tem nada de nostalgia”.  POR AMAURI STAMBOROSKI JR.

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