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Entrevista no site francês Fanfare

julho 8, 2019

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Há alguns dias foi publicada uma entrevista que dei ao Quentin, do site francês Fanfare, em sua série “Os segredos mais bem guardados do pop”.

Publico abaixo a versão original em português.

Leia no Fanfare a tradução para o francês.

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À frente de seu grupo Supercordas ou em carreira solo, Bonifrate tem reavivado a chama da psicodelia brasileira. De Paraty, no extremo sul do estado do Rio de Janeiro, ele nos fala de suas memórias de infância, de sua cidade, da canção “Para Lennon & McCartney” de Milton Nascimento, de seus futuros projetos, do Século XVI e do Século XXI no Brasil.

  1. Bom dia, Pedro. Como é que se descreveria em algumas palavras?

Um desses artistas brasileiros que acabam entrando para o serviço público, e que tem um alguns discos gravados apesar de trabalhar de 8h às 17h.

  1. Em qual área do serviço público você trabalha?

Sou Técnico em Assuntos Culturais na área de História de um pequeno museu federal em Paraty, o Forte Defensor Perpétuo. Apesar de ser um forte do início do século XIX, a temática do museu é abrangente, e aborda as culturas tradicionais de Paraty (em especial quilombolas, caiçaras e indígenas), questões históricas da localidade, os saberes e os modos de fazer. Meu trabalho envolve pesquisa documental, montagem de exposições, desenvolvimento de projetos e principalmente atividades educativas para as escolas públicas da cidade.

  1. Onde você cresceu e o que diria deste lugar ?

Nasci no Rio de Janeiro mas aos quatro já morava em Paraty, que é uma cidade histórica praiana ao sul do estado. Sempre houve uma relação muito forte com ambas as cidades, e com esse translado entre uma e outra, que é uma estrada muito bonita entre a Mata Atlântica e o mar. Morei no Rio entre 1999 e 2012 e foi onde estabeleci minha socialização musical, comecei minha banda Supercordas, estudei história e conheci minha companheira. Paraty, onde voltei a morar em 2012, é uma cidade pequena, de uns 40 mil habitantes, muito visada em termos de recursos naturais, turísticos e culturais. Esta última cidade sempre esteve presente no modo como faço canções. O primeiro disco dos Supercordas, Seres Verdes ao Redor (2006), traz muito da infância e adolescência que passei aqui, principalmente no sentido do contato com a natureza; e meu último disco, Lady Remédios (2017), é um pequeno EP conceitual que trata de Paraty de forma mais direta, um misto de elogio e sátira.

  1. Qual é seu passatempo favorito quando não faz música ?

Não gosto muito da ideia de ‘passatempo’. Tudo é um passatempo ou um paratempo ou tentativas de reduzir o tempo a alguma coisa que você possa entender. Eu trabalho com cultura e educação, trabalho construindo coletivamente uma familia, e trabalho compondo, arranjando e mixando canções, especialmente quando resta algum tempo pra isso.

  1. Havia muita música em casa quando era pequenino? Com quem costumava ouvir música ?

Havia um bocado. Meus pais tinham quase todos os discos dos Beatles, que comecei bem cedo a ouvir intensamente. Música brasileira sempre esteve por ali também com alguns discos de Caetano, Gal, Gil, Chico, Milton, etc, mas só bem mais tarde eu fui realmente me interessar. Minha mãe sempre cantou muito, ainda que não profissionalmente; vivia em rodas de samba e coisas do tipo. Tinha um projeto com um músico sueco de música africana, caboverdiana e da Guiné Bissau quando ainda morávamos no Rio, e tenho uma memória remota porém muito forte desse som na minha primeira infância. Foi ela quem me incentivou a aprender música, mesmo eu resistindo um pouco por pura preguiça.

  1. Pode me dar 1 ou 2 canções de outros artistas que mexem consigo e pode explicar porque?

Raincoats – No Side To Fall In (Raincoats, 1979):

Um amigo me apresentou o primeiro das Raincoats em vinil há uns 2 anos atrás e eu fiquei arrepiado. Como ninguém tinha me mostrado aquilo antes? Como eu não tinha descoberto? Só depois fiquei sabendo da referência do Kurt Cobain no texto do Incesticide e fez bastante sentido pra mim, porque eu amo Nirvana e tal mas o punk rock foi algo em que eu nunca me enfiei muito musicalmente. Se houve algum vislumbre foi no que há de punk em Velvet Underground ou nos Stooges, mas nunca topei mais de Sex Pistols ou de Ramones do que curtir alguns hits e ouvir uns discos esporadicamente quando era bem jovem. Só as Raincoats me fizeram entender o punk rock, ou ao menos que ele pode significar mais musicalmente do que testosterona revoltada. Essas minas que moravam em squats no final dos anos 70 e cantavam sobre a vida e sobre a música desse jeito, esse existencialismo de sobrevivência, esse desprendimento responsável.

Milton Nascimento – Para Lennon & McCartney (Milton Nascimento, 1969)

Essa canção do disco do Milton de 1969 me soa quase como uma introdução àquele universo do Clube da Esquina que vai ser construído nos anos seguintes, um universo que acho dos mais incríveis da música brasileira, que traz também uma insistência na unidade da América do Sul, uma identidade coletiva milenar da qual nós pouco sabemos atualmente. Sabemos ou intuímos alguns aspectos através desse tipo de entralaçamento de canção, poesia, música, arte, filosofia, amizade, que ocupa seu lugar criador no continente e que esse pessoal das Minas Gerais construiu com rara grandeza.

  1. Qual foi o primeiro disco que recebeu como presente, o primeiro que comprou ?

Quando eu tinha uns 6 ou 7 anos eu fiquei vidrado naquela cena de “Curtindo a vida adoidado” (Ferrys Bueller’s Day Off) em que ele canta Twist And Shout num desfile de rua. Eu queria o disco que tinha aquela música de qualquer jeito e um amigo dos meus pais me prometeu que conseguiria. Ele fez todo um teatro, e disse que estava mandando trazer de Liverpool porque aqui tinha esgotado. Quando chegou meu aniversário ele veio com uma caixa em forma de cubo enorme que não tinha nada dentro, e tive que tirar o forro de papel pra encontrar uma cópia de Please Please Me num dos lados da caixa.

Não me lembro bem qual o primeiro disco que eu comprei, provavelmente algum outro dos Beatles em CD, mas mais marcante foi o primeiro disco de música contemporânea que eu comprei e acabou sendo uma música que me influenciou bastante naquela época, que foi o K, do Kula Shaker. Eu não tinha ideia de como soaria, mas não resisti à capa, num impulso que deu certo e que me levou a ouvir mais sons que estavam sendo feitos enquanto eu vivia.

  1. Se pudesse viajar no tempo, qual época escolheria ?

Acho que iria pro século XVI, poder sentir as potencialidades dos modelos políticos em disputa naquela época, principalmente sobre um Brasil em formação, os Guarani e as missões jesuíticas, o conflito com os sertanistas e com esse modelo de violência patriarcal, de mandonismo privado que acabou se estabelecendo. Na certa eu não duraria muito por lá, talvez fosse mais sábio viajar pra daqui a uns 3 anos e meio no futuro, acho que seria um bom momento pra isso.

  1. Tem um lugar específico para compôr, um instrumento específico?

Nenhum. Em qualquer lugar estou compondo, e principalmente em trânsito, andando ou dirigindo ou pedalando. Estou sempre pensando nas canções. Arranho o violão ou o piano pra achar as notas e fixar as melodias e a métrica e depois passo um bom tempo decantando aquilo na cabeça até todos os versos saírem.

  1. Quando descobre a melodia para uma canção, como funciona, fica na sua cabeça por horas, dias, ou desaparece rapidamente ?

Com raras excessões, eu preciso gravar. Rápido. No celular ou no que tiver. Senão vai embora e já se foi muita coisa. Às vezes tenho tipo metade de um disco pronto e recorro a esses arquivos de “lalalas” ou frases soltas pra desenvolver aquelas ideias em outras canções.

  1. Tem algum novo album em preparação, um novo projecto ?

Tenho alguns, no momento, mas o tempo pra terminar tá faltando ultimamente. Tem um disco que já está pronto, de um projeto meu com o Dinho Almeida, dos Boogarins; se chama Guaxe e vai sair no segundo semestre de 2019 em vinil pela Overseas Artists Records. Tem um álbum que espero lançar ainda esse ano, feito com versos musicados de um poeta português do século XVI; um lance meio prog low-fi que já está sendo feito há uns oito anos. E tem um punhado de canções pra um novo disco de Bonifrate em que também estou trabalhando.

  1. Planejas mais discos, concertos com Supercordas ?

Acredito que possa acontecer em algum tempo, mas não temos nada definido ou conversado. É engraçado, porque tudo que estou fazendo hoje poderia muito bem ser material dos Supercordas, sabe? E outrora esse foi basicamente um projeto meu, com a contribuição de outros parceiros, em especial do Diogo Valentino, mas no fim eu mesmo acabei puxando tudo pra esse lado mais coletivo, de ser uma banda mesmo, dos músicos botarem sua cara ali. Apesar de ter enriquecido e diversificado a música, acho que isso foi uma das coisas que fez o projeto não durar mais ou não ter gravado mais discos. Eu trabalho melhor sozinho ou com poucos parceiros. Uma banda tem gente demais.

  1. Quando vem tocar aqui em França ?

Nossa! Isso não seria demais? Não sei, nunca toquei fora do Brasil. Mas nunca se sabe.

  1. Qual é a pergunta que sempre esperou durante uma entrevista mas nunca veio ?

Não saberia dizer.. acho que talvez artistas anseiem por uma curiosidade mais específica sobre o seu trabalho, no sentido de se procurar entender um álbum ou um conjunto de álbuns como uma obra que quer comunicar alguma coisa, ainda que seja diversa ou nebulosa. É raro que haja esse tipo de interesse por parte da crítica musical no caso de uma arte underground, ele acaba vindo de amigos ou pessoas que se sintonizam com a música e querem se aprofundar nos nossos meios.

  1. De que mais gostaria de falar hoje?

Difícil não falar de como boa parte da política mundial está se tornando nefasta. Estamos vivendo um atraso monumental na história do Brasil, de recrudescimento de antigos e permanentes sentimentos fascistas por parte das pessoas, de uma negação da democracia e dos aspectos democráticos da vida em comunidade, da própria política. Sei que não estamos sozinhos nessa merda, como um solidário Zizek disse a nós brasileiros há alguns meses. Há de se buscar entendimentos radicais, a meu ver, no sentido de voltarmos às raízes dos problemas que vivemos em sociedade. No nosso caso isso passa necessariamente por entendermos que vivemos uma sociedade estruturalmente escravocrata em pleno século XXI, e com nenhum caminho fácil de fuga à vista.

  1. Qual das suas canções gostaria que fosse usada para ilustrar esta entrevista ?

Guaianá Mainline (Museu de Arte Moderna, 2013).

Obrigado !

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Bonifrate na Virada Cultural (SP)

maio 16, 2019

Arte Virada 2019 exp

Neste sábado Bonifrate desembarca em São Paulo para seu primeiro show na cidade em mais de 2 anos, e ainda participa de apresentações das bandas Boogarins e Bike na Virada Cultural. Veja os horários e locais abaixo.

18 de maio de 2019 – Bonifrate na Virada Cultural (SP)

20h30 – Show solo no Sesc Santana – Festival de Rock Psicodélico Brasileiro

21h30 – Participação no show do BIKE – Sesc Santana

1h – Participação no show dos Boogarins – Palco Rio Branco

 

 

Bonifrate sexta-feira no Rio de Janeiro!

fevereiro 4, 2019

whatsappimage2019-01-16at00.46.10Nesta sexta-feira, 8 de fevereiro, Bonifrate faz show solo no Aparelho, Rio de Janeiro, dividindo a noite com Marcelo Callado, também em show solo.

O repertório inclui novas canções e faixas do último EP Lady Remédios (2017) e dos últimos LPs Museu de Arte Moderna (2013) e Um futuro inteiro (2011).

A apresentação é a primeira de Bonifrate fora de Paraty, cidade onde reside, desde 2016, e a primeira no Rio de Janeiro desde 2014.

Segue o serviço completo:

Bonifrate e Marcelo Callado no Aparelho

Endereço: Praça Tiradentes, 85 – Centro – Rio de Janeiro
Horário: 22h
Entrada: R$ 15
Evento no Facebook

Vinis à venda!

O ano de 2018: relatório musical do Bonifrate

dezembro 20, 2018

Dois mil e dezoito, rugas, queda de cabelo, falta de ar, inferno astral, pesadelos políticos. Que fazer? viver um dia de cada vez, rastrear espíritos, caçar energia, apoiar, proteger, escutar camaradas, cultivar memórias, em si e em outrem, criar sons, rabiscar versos, sonhar com orquestras, andar de bicicleta.

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Sejamos objetivos, falemos de música e de encontros.

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No começo do ano, finalmente chegaram as cópias do disco Um futuro inteiro, de 2011, relançado em vinil 12″ pela Dom Pedro Discos, de Brasília. O som está incrível na bolacha, e a arte foi refeita genialmente em gravura pela Dani Hasse. Pra comprar, é só encomendar pelo e-mail calundu91@gmail.com.

capa UFI low


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Ainda no início do ano fui convidado pelos caras do Bike pra gravar uns vocais em “Ingá”, de seu ótimo terceiro disco Their Shamanic Majesties Third Request, que saiu em março.

 

 


 

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Como homenagem aos saudoso Mark E. Smith, o selo carioca e agora londrino Midsummer Madness, primeira casa dos Supercordas e de tantas bandas maneiras, lançou a breve coletânea Perverted By Homage: A Tribute To The Fall. Eu participei com essa releitura folkeira de “Psykick Dancehall”, da qual fiquei bastante orgulhoso pra falar a verdade. Achei que uma versão mais balada dessa canção ressaltaria a beleza de versos como esses: “When I am dead and gone, my vibrations will live on, in vibes on vinyl through the years, and people will dance to my waves”.

 

 


 

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4trackEm julho, mês do meu aniversário, sofri aquilo que convencionei chamar “inferno astral elétrico”, e diversos equipamentos meus foram sucessivamente quebrando e tendo circuitos queimados. No fim, sem computador, me sobrou um gravador de fita de 4 canais, onde comecei a gravar e escrever o que viria a ser “Alfa Crucis”. Também foi quando voltei a me apresentar ao vivo, o que eu não fazia desde o último show dos Supercordas no festival Se Rasgum, em Belém, no final de 2016.

O modesto retorno se concentrou em Paraty, onde eu moro, e com formação solo: violão, teclado Casio, efeitos diversos, percussões, tudo passando por um looper JamMan, camadas sendo acrescentadas ao vivo.

Cartaz Bonifrate MAR 2018 (WEBcomVJ)Fui convidado na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) pra integrar a programação especial da Biblioteca Maria Angélica Ribeiro, do Colégio Estadual CEMBRA, recentemente reformada e rebatizada no contexto de um processo de mobilização e de luta que passou pelas ocupações de 2016 e pela conquista do direito dos estudantes de eleger seus diretores. Uma chapa de professores grevistas e mobilizados foi eleita, e a escola passou por transformações muito significativas, inclusive no seu espaço físico, e também por muita perseguição política.

A nova biblioteca foi batizada com o nome da primeira dramaturga mulher – feminista, abolicionista, nascida em Paraty – a ter uma peça encenada em teatro no Brasil, em 1859. A memória de Maria Angélica Ribeiro foi recentemente resgatada na cidade pela ação do coletivo feminista que leva seu nome, em especial da minha companheira Thalita Silva, e pela releitura de seus textos realizada pelos grupos de teatro locais Andantes Errantes e Olho Negro.

Fiz uma apresentação focada no EP de 2017, Lady Remédios, acompanhada de projeções da amiga Antonia Regina Moura – pesquisadora de culturas tradicionais e de música, DJ Telurika, fotógrafa, etc -, que passou a integrar a maioria das gigs desse ano.

 


 

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Em agosto vi chegar ao mundo o incrível segundo álbum da Betina, Hotel Vülcânia, produzido por meu parceiro de tantos anos Diogo Valentino. Participei com uma viola caipira, melotrons e outros teclados, gravados no último ano novo aqui em casa.


 

vi

 

Também na época das festas de fim de ano, mas há dois e três anos atrás, e em outras visitas esporádicas, comecei a gravar junto com Dinho Almeida (Boogarins) uns sons que começaram bem despretensiosos e acabaram se tornando o álbum de um novo projeto que vai sair no início do ano que vem. Em setembro deste ano ele esteve em Paraty pra fecharmos algumas canções e fazer umas fotinhos, e terminei a mixagem na sequência. Foi uma parceria bem intensa e nova pra mim, equilibrar a minha lentidão decantante fermentativa com o imediatismo e espontaneidade geniais do Dinho. Lá vem um grande disco!

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Foto: Henrique Milen Carvalho

 


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Untitled-2Logo depois da visita do Dinho, toquei novamente em Paraty, no Hostel Alecrim, espaço aconchegante e colorido da Claudia e do Nelson – velho conhecido de rocks do Rio de Janeiro que está morando por aqui também. Foi um baita clima gostoso, com um dos maiores sets que já fiz, totalizando duas horas, no dia de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da cidade e inspiração do meu último EP.

 

Veja “Concórdia/ O voo de Margarida”, do disco Um futuro inteiro, no Alecrim:


 

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sescboniFiz mais um concerto nos mesmos moldes no Sesc Paraty, unidade Santa Rita, dia 26 de outubro, na programação do projeto Aldeia Paraty, que realiza apresentações de artistas locais e de grupos de culturas tradicionais. Foi incrível cantar as canções de Lady Remédios pra um público majoritariamente local e de amigos, olhando pela janela alguns dos lugares que eu referencio na faixa título – o mangue fantasma soterrado pelas marinas dos ricaços, as baleeiras sonsas encalhadas na maré rasa, o iodeto de prata da baía. Antonia novamente ajudou a criar o clima com suas projeções, agora mais psicodélicas e distorcidas. O pessoal do Sesc daqui foi maravilhoso, e fizeram me sentir de fato em casa.


 

ix

 

Dias depois, após a concretização do nosso maior pesadelo político, resolvi finalizar “Alfa Crucis” e lança-la como single, a princípio isolado. Achei que seria um bom momento pra botar uma canção esperançosa e contemplativa no mundo, e um amigo disse que seria legal, porque as coisas tendem a ser absorvidas mais intensamente nesses momentos.

Pedi pra Antonia editar um vídeo despretensiosamente, algo como uma das projeções que ela editou ao vivo pros shows, mas eis que ela me veio com essa vasta e complexa obra audiovisual, lançada pelo Alexandre Matias no site Trabalho Sujo.


x

 

No início de dezembro participei do evento Interculturalidades, organizado pelo polo da UFF em Jacuecanga, Angra dos Reis. Toquei um set resumido, logo após a roda de jongo que uniu os grupos do Quilombo do Campinho e de Mambucaba, e uma roda de conversa com o Coletivo Feminista Maria Angélica Ribeiro. Foi ótimo apresentar as canções pra um público universitário pouco familiarizado com o som, pessoas curtiram e vieram perguntar sobre o projeto depois do show. Bem massa.


 

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Enquanto tudo isso rolava, também comecei a gravar novas canções, para um disco que será todo gravado em fita cassete e editado no computador. Um velho projeto de prog rock renascentista continua por ser finalizado mas já está 90% pronto, e canções em inglês também estão na gaveta pra provavelmente se tornarem um novo disco do meu projeto de adolescência, Psylocibian Devils. Se vou conseguir lançar tudo isso no ano que vem é uma questão para astrólogos, cartomantes, sacerdotisas avalônicas, analistas políticos ou mesmo jogadores de purrinha.


Obrigado por ler esse resumo até o fim, é incrível que alguém ainda se interesse!

Estejam ligados no meu Instagram @bonifrate, na página do facebook.com/bonifrate ou se inscrevam aqui no site (formulário ao lado) pra ficar sabendo das novidades.

Beijos cósmicos pra vocês, cuidem-se, e um ótimo ano de 2019, na medida do possível!

Bonifrate na Flip 2018, vídeo completo

novembro 27, 2018

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Na Festa Literária Internacional de Paraty 2018, a recém reinaugurada e rebatizada Biblioteca Maria Angélica Ribeiro, no colégio CEMBRA, abrigou uma programação enquanto casa de autora da Flip e como novo espaço cultural das pessoas de Paraty.

Tive o prazer de estrear com a apresentação do EP Lady Remédios e outras canções numa festa que começou com feira de livros independentes e seguiu com performance da amiga Maíra Galvão e Jeane Callegari, e do Sarau Hilda Hilst, com Slam de Quinta, Chacal e maior galera massa. Boas vibrações ecoavam.

Minha companheira Thalita Silva fez a câmera e a Antonia Regina Moura VJ Telurika fez essas projeções incríveis que incluem clássicos do Cinema Novo que foram rodados na cidade. Achei o conjunto legal e subi o show completo. Foi a primeira performance do novo single Alfa Crucis, que acaba de sair, dias depois de ter escrito. Espero que vocês curtam e ajudem a espalhar pra quem curtir possa. Obrigado e saúde!

Veja também “Concórdia/Voo de Margarida” no Hostel Alecrim, em setembro de 2018:

Novo single e vídeo “Alfa Crucis”

novembro 21, 2018

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Está disponível nas principais plataformas de streaming e pra download gratuito no Bandcamp o meu novo single, Alfa Crucis.

A faixa única tem pouco menos de 8 minutos, foi gravada em 4 pistas na fita cassete e editada no computador.

“Alfa Crucis” é uma canção sobre o futuro do amor, do sonho e da observação das estrelas.

O vídeo foi concebido e editado por Antonia Regina Moura, a DJ/VJ Telurika, com imagens de arquivos diversos. Assista abaixo.

Leia a matéria do Alexandre Matias no site Trabalho Sujo.

Leia também um comentário discográfico de Isaac Magalhães chamado “Sequelagem, psicodelia e Paraty: um passeio pela discografia de Bonifrate”.

Ouça no Spotify: https://open.spotify.com/album/3F9ZyEOG7KOk1WM5Zm6jzq

 

 

 

Um ano de Lady Remédios: download completo grátis!

agosto 21, 2018

CapaEm celebração ao aniversário de um ano do Lady Remédios EP, meu último disco, está liberado por tempo limitado o download gratuito da versão completa pelo Bandcamp, que inclui faixa bônus, PDF com arte em alta resolução, letras e cifras.

O EP foi originalmente lançado pela Balaclava Records nas principais plataformas digitais em 21 de agosto de 2017. A edição estendida traz uma versão alternativa da primeira faixa “Microcosmo”, exclusivamente através do download pago via Bandcamp, e agora grátis por tempo limitado.

BAIXE AQUI! – Clique em ‘Free Download” e escolha seu formato preferido.

Leia o faixa-a-faixa e entrevista para o Altnewspaper que saiu em 2017.

Assista aos clipes de “Lady Remédios” e “Rã”:

Ouça o ótimo novo disco da Betina, com participações de Bonifrate e mais

agosto 17, 2018

39454003_2108451175834783_7333982083297050624_oA Betina acaba de lançar seu novo disco, Hotel Vulcânia, do qual tive o prazer de participar como instrumentista em três faixas. Já sou fã da Betina como grande cancionista que ela é desde o Carne de Sereia (2015), mas agora ela chegou a níveis estratosféricos de melodia e verso.

Há uma identificação um tanto óbvia com a produção, da minha parte, já que ela é assinada pelo Diogo Valentino, companheiro de Betina e meu amigo-irmão desde tempos imemoriais ao longo dos quais aprendemos a pensar juntos musicalmente e desenvolver muitos códigos em comum; mas toda a sonoridade e a produção só fazem valorizar e sustentar a imaginação e a composição da Betina, que a meu ver são os Nortes desse trabalho incrível.

Estão lá mandando muito bem Luccas Villela, Irina Bertolucci, Allen Alencar, Bruno Matuck e o próprio Diogo (a banda), e mais participações de Boogarins, Tatá Aeroplano e Heloiza Abdalla. Aponto desde já como um dos meus discos favoritos desse ano.

Toquei Mellotron em “Hotel Vulcânia”, viola de 10 cordas em “Cal e cinzas” e um órgão de casiotone no refrão de “Autocrítica #7”.

Escute Hotel Vulcânia:

Bonifrate na Flip: sábado em Paraty

julho 26, 2018

Cartaz Bonifrate MAR 2018 (WEBcomVJ).jpgNeste sábado 28 de julho às 20h30, faço show solo na Biblioteca Maria Angélica Ribeiro, casa parceira da Festa Literária Internacional de Paraty e biblioteca do CEMBRA, maior escola da cidade, com projeções incríveis da VJ Telúrica, Antonia Regina Moura.

A biblioteca foi recentemente reformada e rebatizada em homenagem à primeira dramaturga mulher a ter uma peça encenada no Brasil. Nascida em Paraty e, até este ano, praticamente ignorada aqui ou alhures.

A reforma foi consequência de um processo claro e prático de luta e mobilização social que pude acompanhar de perto. A biblioteca é uma conquista material e simbólica da ocupação do CEMBRA em 2016 e de todo o movimento secundarista latino-americano dos últimos anos, dos estudantes e professores que lutam por uma educação pública de excelência.

Dito isso, será um prazer inenarrável apresentar em loops confusos nesse espaço algumas canções do Lady Remédios e uma ou outra mais antiga ou mais recente ainda, ainda mais acompanhado dos vídeos da VJ Telúrica.

O evento continua depois do show com performance de Maíra Galvão e Jeane Callegari, e com o Sarau Hilda Hilst, e com feira de publicações independentes.

Vale dar uma olhada na programação geral da casa durante a Flip (abaixo), que traz inclusive os grupos locais de teatro Olho Negro e Andantes Errantes encenando o teatro de Maria Angélica Ribeiro, mais de cem anos depois da sua última apresentação.

Tudo feito na luta, na vontade e na independência de muitas pessoas (e praticamente nenhuma instituição), dentre elas Thalita A. F. da Silva, Silvina Hurtado, Antonia Moura e Gabriela Gibrail.

Vinis à venda no local (dinheiro vivo apenas, a princípio).

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Midsummer Madness lança tributo a The Fall, ouça versão do Bonifrate pra “Psykick Dance Hall”

maio 26, 2018

 

Nossa boa velha casa, o selo Midsummer Madness (est 1989) acaba de lançar um breve tributo a The Fall que traz releituras de Loomer, Digital Ameríndio, OverEnd, DON, Estación Experimental, e a minha pra “Psykick Dance Hall”, uma faixa do primeiro disco, de 1979, que abre o tributo. Thalita da Silva incrementou o coro do refrão e Diogo Valentino masterizou. A capa é do amigo Augusto Malbouisson.
Que a voz de Mark E. ecoe nas vibrações em vinil que seguem vivas, como diz a canção.

Lariú Says: “Quando Mark Smith, fundador e vocalista da banda de Manchester The Fall morreu em 25 de janeiro de 2018, todos no midsummer madness ficaram bem tristes. A banda lançou dezenas de álbuns, todos muito inquietos. Sempre foram avessos ao establishment e fizeram músicas falando sobre isso. The Fall foi a banda que melhor entendeu e executou as ideias do punk. Não ter Mark Smith anarquizando o sempre muito bonitinho mercado da música é um golpe.”

Promo Maromba 2 (foto Thalita Silva)

 

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