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Bonifrate no Heatwave! Fest 9/4

abril 7, 2020

Screenshot_20200407-115425~2Nesta quinta-feira, 9 de abril, participo do Heatwave! Fest com um baita line up de artistas legais!

O festival é organizado pelo jornalista Wilson Farina, aniversariante do dia, que encabeça o programa Heatwave! na rádio Antena Zero.

Minha apresentação abre o festival às 18h30, e será transmitida diretamente do meu quarto de som via “live” do Instagram, pelo perfil @bonifrate.

Para quem não saca muito de Instagram, o link para a transmissão vai aparecer quando estiver no ar, num avatar circular no topo do seu feed que diz algo como “bonifrate está fazendo uma transmissão ao vivo”. Pra isso você precisa adicionar o perfil @bonifrate no seu Instagram pra celular. Acredito que não seja possível assistir pelo computador.

Adicione também os outros artistas pra acompanhar o festival completo – os perfis estão listados na imagem.

A transmissão ficará disponível no Stories do meu perfil até 24h após o término da apresentação.

Desejo força e saúde a todas e todos!

 

Ouça o novo álbum Mundo Encoberto

novembro 29, 2019

a1794535086_10Meu novo álbum Mundo Encoberto já está disponível para streaming e download via Bandcamp.

Mundo Encoberto é uma releitura musical de fragmentos do poema Miscelânia, do trovador português Garcia de Resende (1470-1536).

Leia mais sobre o projeto na matéria da Revista Noize.

Uma versão física em CDR que inclui um livreto de 12 páginas com letras em fac-símile da original de 1554 estará disponível para venda em breve.

Ouça no player, assista ao vídeo da primeira parte e leia sobre o álbum abaixo.

 

 

Mundo Encoberto é um projeto que envolve camadas temporais distantes. A ideia inicial deve ter surgido em 2006 ou 2007, e pelos meus cálculos eu comecei a gravar o disco em 2011. Mas na verdade tudo começou no início do século XVI, quando alguns astrólogos começaram a pregar pelas ruas de várias cidades europeias que uma conjunção de sete planetas no signo de Peixes em fevereiro do ano de 1524 determinaria fatalmente que um segundo dilúvio bíblico cairia sobre a terra. Minha monografia e parte da minha dissertação de mestrado em História estavam relacionadas a esse evento, e foi como eu topei com esses versos do poeta português Garcia de Resende, que abrem o disco e que se referiam justamente ao estardalhaço causado pela profecia e como acabou nem chovendo em fevereiro de 1524. Os versos imediatamente me soaram como música, assim como diversos outros fragmentos da ‘Miscelânea de Garcia de Resende & variedade de historias, costumes, casos & cousas que em seu tempo aconteceram’.

Desde então me pus bem devagar a musicar redondilhas desse poema, que narrava acontecimentos que esse trovador de Évora, amigo do Gil Vicente e do Sá de Miranda, viu ou ouviu acontecerem naqueles tempos estranhos, abordando as grandes navegações, o Novo Mundo, o Oriente e as terríveis catástrofes europeias. Acabei fragmentando, tirando partes do contexto, subvertendo, reordenando e rearranjando pedaços dessa obra como uma nova experiência trovadoresca, num disco de canções, texturas, tempos longos e estranhas coincidências chamado Mundo Encoberto.

P. Bonifrate

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Mundo Encoberto (Overcast World) is a project built on multiple time layers. The initial idea might have emerged in 2006 or 2007 and I guess I started recording it in 2011. But in fact it all began in the early 16th century, when astrologers all over Europe spread the word about a planetary conjunction in Pisces that would determine that a second biblical deluge would fall upon the Earth in February 1524. My mastership research in History was related to that event, and that is how I came across the verse that opens the album by Portuguese troubador Garcia de Resende about the fuzz that went on after the prophecy and about how it didn’t rain at all in February 1524. Those lines immediately sounded like music to me, along with many other fragments from Garcia de Resende’s ‘Miscelany & variety of stories, customs, cases & things that in his time have happened’.

Since then I’ve been slowly creating melodies for some of those verses that told about things Resende saw happening in the world during those strange times, tackling Portuguese navigations, the New World, the far East and some terrible European catastrophes. I ended up fragmenting, taking parts out of context, subverting and rearranging pieces of this work as a new balladeer experience in a record of songs, textures, long durations and strange coincidences called Overcast World.

Ouça e assista Mundo Encoberto (Parte I)

novembro 20, 2019

Assista abaixo ao vídeo da primeira parte de Mundo Encoberto, novo álbum de Bonifrate, que sai dia 29 de novembro no Bandcamp (pré-venda digital aberta).

Noize capa

A Revistas Noize anunciou o vídeo com essa bela matéria e entrevista do Ariel Fagundes.

Novo álbum Mundo Encoberto, em breve!

outubro 24, 2019

Assista ao trailer de Mundo Encoberto. Álbum e curta-metragem em breve.

Guaxe: escute o novo álbum de Bonifrate e Dinho Almeida

setembro 6, 2019

Guaxe-cover-1500x1500-1563911147-640x640Está no ar o primeiro álbum homônimo do Guaxe – projeto de Bonifrate com Dinho Almeida, dos Boogarins.

O LP já está disponível pela Overseas Artists Recordings nas principais plataformas de streaming, em download digital, em vinil 12″ colorido e em CD gatefold.

O disco foi gravado na casa de Bonifrate em Paraty, em sucessivas visitas do Dinho entre 2015 e 2018, e masterizado por Dan Millice (Engine Room Audio, NY). A arte foi toda concebida por Beatriz Perini.

Leia a matéria de lançamento no Monkeybuzz, escrita pela Ana Laura Pádua, e com um faixa-a-faixa do disco escrito por Dinho e Bonifrate.

Veja uma lista de discos que influenciaram o Guaxe no Southern Sounding.

Antes do álbum sair, tivemos lançados o primeiro single “Desafio do Guaxe” e o vídeo de “Onda”, que você pode assistir abaixo.

O Desafio do Guaxe

agosto 3, 2019

Guaxe-cover-1500x1500-1563911147-640x640Ouça o primeiro single do Guaxe, novo projeto de Bonifrate e Dinho Almeida, em todas as plataformas ou no player abaixo, via Overseas Artists Recordings.

Tem matéria no Stereogum.

E tem matéria no Trabalho Sujo.

Link do Spotify.

Link do Youtube.

Pré-venda vinil e CD.

Siga @guaxe_music no Instagram.

Mais detalhes no texto abaixo.

Dê o play:

Guaxe é o duo formado a partir do encontro entre os músicos Dinho Almeida e Pedro Bonifrate. Suas respectivas bandas, Boogarins e Supercordas, trocaram participações em gravações e compartilharam palcos de festivais até a dissolução dos Supercordas em 2016. Em sucessivos encontros desde 2015, Dinho e Bonifrate formularam e produziram as gravações que resultaram no primeiro disco homônimo do projeto, entre gravadores de fita de 4 canais, computadores, equipamentos excêntricos, violas caipiras, crianças brincando e a floresta cheia de lagartos ao redor da casa de Bonifrate em Paraty.

Guaxe foi batizado com o nome de um pássaro da Mata Atlântica, que constrói ninhos em forma de tenda pendurados em altas árvores e canta sons sintetizados como nenhum outro.

“Desafio do Guaxe”, primeiro single e faixa de abertura do álbum, convida ouvintes para entrar com sucessivas ondas de calor: violões ao contrário, levadas sampleadas em baixa rotação e vocais etéreos. Segundo Dinho, “essa primeira canção representa toda a força e significado do projeto, na forma como eu e Bonifrate descrevemos esse desafio metafórico inspirado pelo canto do guaxe”.

“Eu andava pensando no pássaro guaxe como um tema de canção”, acrescenta Bonifrate, “estava quente em Paraty quando Dinho chegou pra uma das sessões de gravação, então fomos nadar no rio que corre perto de casa quando dois guaxes apareceram. Eles são muito difíceis de se ver, porque costumam voar entre as copas altas das árvores, mas lá estavam eles bem na nossa frente. Eu senti que aquilo era um presságio”.

Produzido, gravado e mixado pelo duo, com a ajuda de Diogo Valentino, masterização de Dan Millice e incríveis artes de Beatriz Perini, o álbum se desenrola em sonoridades diversas, entre harmonia e ruído, tangenciando temas como nossos atuais pesadelos políticos, a exploração do trabalho e a resistência daqueles que não submetem suas almas aos poderes temporais.

O LP de Dinho e Bonifrate reverbera como um hino que inspira coragem, e a visão de que nssa força criadora é mais poderosa que as vibrações negativas que emanam de um mundo em decadência.

O álbum será lançado nos pela OAR em 6 de setembro de 2019.

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Guaxe bio in English 2019

Guaxe (pr. Gwah-shee) is a musical duo that was formed spontaneously after the encounter of two Brazilian psych rockers Dino Almeida (Boogarins) and Pedro Bonifrate (Supercordas). Both members have guested on each others’ recordings and had shared the stage at a few festivals together before Supercordas’ dissolution in 2016.  Over recent years, Dino has paid Bonifrate and his family many short visits to his home in Paraty in coastal Brazil. During these getaways, the Guaxe album was written and recorded — with 4-track machines, computers, cranky gear, 10-string guitars, children playing, and a rainforest full of lizards all around the house.

Guaxe is named after an Atlantic forest bird who builds tent-shaped nests that hang on tall trees, and sings synthesized sounds like no other.

“Desafio do Guaxe”, the album’s opener, invites the listener in via a series of waves of warmth: enveloping recurrences of backwards guitar — reminiscent of the Indian tambura — then a backbeat enters, followed by a soothing chant. Dino elaborates, “this first song represents all the strength and meaning of the whole project. Bonifrate and I were challenged to put words together describing a metaphor inspired by the singing of the Guaxe bird.”

“I had the Guaxe bird in my head as a song theme.”, Bonifrate adds, “It was hot in Paraty when Dino arrived for the sessions, so we went swimming in the river next to my house and two Guaxe birds showed up. They’re really hard to see, as they usually fly over the tall trees. But there they were right in front of us. I felt it was an omen.”

Further songs on the album touch on darker themes such as slavery in ancient Egypt, with the Nile as an eternal backdrop; labor exploitation in current times is explored, as are the political nightmares that feel to be everpresent. Yet, these topics are never explicitly stated. Instead they are implied in a contrast of sounds and words, reminiscent of the paradoxical delivery of Brazilian heroes Clube da Esquina, or even the simplistic brash folk of Bob Dylan.

Dino and Bonfrate’s long-player ultimately reverberates as a hymn to encourage us to be brave, and see that our natural inner life essence is stronger than the massive influence of negative energy in the outside world, which one can fly above, to answer the call of the Guaxe.

The debut self-titled album will be released on OAR on September 6, 2019

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Gabriel Thomaz Trio lança versão de Supercordas

julho 30, 2019

gabriel-thomaz-trio-ruradelicaGabriel Thomaz Trio, novo projeto do vocalista e guitarrista dos Autoramas, acaba de lançar uma versão de “Ruradélica” como primeiro single de seu novo álbum. A canção original foi composta por Bonifrate e Valentino para o primeiro LP dos Supercordas, Seres Verdes ao Redor, de 2006. Ouça a versão instrumental abaixo.

Na matéria publicada no Trabalho Sujo, Gabriel Thomaz lembra do episódio que permitiu aos Supercordas começar a gravação de seu primeiro disco nos estúdios da Trama: “Eu fui jurado de um concurso musical em que o Supercordas concorria, quando ouvi a banda pela primeira vez. O prêmio era uma ajuda pra gravar um disco e acho que acabei ajudando a lançar alguma coisa deles por ter votado neles. A melodia de ‘Ruradélica’ me pegou de jeito e assoviei essa música por anos e anos”, continua Gabriel. “Sempre a achei extremamente pop – e pop pra mim é um dos maiores elogios. Com essa versão tiramos ela do mato e trouxemos pra morar aqui com a gente na decoração space age”.

Entrevista no site francês Fanfare

julho 8, 2019

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Há alguns dias foi publicada uma entrevista que dei ao Quentin, do site francês Fanfare, em sua série “Os segredos mais bem guardados do pop”.

Publico abaixo a versão original em português.

Leia no Fanfare a tradução para o francês.

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À frente de seu grupo Supercordas ou em carreira solo, Bonifrate tem reavivado a chama da psicodelia brasileira. De Paraty, no extremo sul do estado do Rio de Janeiro, ele nos fala de suas memórias de infância, de sua cidade, da canção “Para Lennon & McCartney” de Milton Nascimento, de seus futuros projetos, do Século XVI e do Século XXI no Brasil.

  1. Bom dia, Pedro. Como é que se descreveria em algumas palavras?

Um desses artistas brasileiros que acabam entrando para o serviço público, e que tem alguns discos gravados apesar de trabalhar de 8h às 17h.

  1. Em qual área do serviço público você trabalha?

Sou Técnico em Assuntos Culturais na área de História de um pequeno museu federal em Paraty, o Forte Defensor Perpétuo. Apesar de ser um forte do início do século XIX, a temática do museu é abrangente, e aborda as culturas tradicionais de Paraty (em especial quilombolas, caiçaras e indígenas), questões históricas da localidade, os saberes e os modos de fazer. Meu trabalho envolve pesquisa documental, montagem de exposições, desenvolvimento de projetos e principalmente atividades educativas para as escolas públicas da cidade.

  1. Onde você cresceu e o que diria deste lugar ?

Nasci no Rio de Janeiro mas aos quatro já morava em Paraty, que é uma cidade histórica praiana ao sul do estado. Sempre houve uma relação muito forte com ambas as cidades, e com esse translado entre uma e outra, que é uma estrada muito bonita entre a Mata Atlântica e o mar. Morei no Rio entre 1999 e 2012 e foi onde estabeleci minha socialização musical, comecei minha banda Supercordas, estudei história e conheci minha companheira. Paraty, onde voltei a morar em 2012, é uma cidade pequena, de uns 40 mil habitantes, muito visada em termos de recursos naturais, turísticos e culturais. Esta última cidade sempre esteve presente no modo como faço canções. O primeiro disco dos Supercordas, Seres Verdes ao Redor (2006), traz muito da infância e adolescência que passei aqui, principalmente no sentido do contato com a natureza; e meu último disco, Lady Remédios (2017), é um pequeno EP conceitual que trata de Paraty de forma mais direta, um misto de elogio e sátira.

  1. Qual é seu passatempo favorito quando não faz música ?

Não gosto muito da ideia de ‘passatempo’. Tudo é um passatempo ou um paratempo ou tentativas de reduzir o tempo a alguma coisa que você possa entender. Eu trabalho com cultura e educação, trabalho construindo coletivamente uma familia, e trabalho compondo, arranjando e mixando canções, especialmente quando resta algum tempo pra isso.

  1. Havia muita música em casa quando era pequenino? Com quem costumava ouvir música ?

Havia um bocado. Meus pais tinham quase todos os discos dos Beatles, que comecei bem cedo a ouvir intensamente. Música brasileira sempre esteve por ali também com alguns discos de Caetano, Gal, Gil, Chico, Milton, etc, mas só bem mais tarde eu fui realmente me interessar. Minha mãe sempre cantou muito, ainda que não profissionalmente; vivia em rodas de samba e coisas do tipo. Tinha um projeto com um músico sueco de música africana, caboverdiana e da Guiné Bissau quando ainda morávamos no Rio, e tenho uma memória remota porém muito forte desse som na minha primeira infância. Foi ela quem me incentivou a aprender música, mesmo eu resistindo um pouco por pura preguiça.

  1. Pode me dar 1 ou 2 canções de outros artistas que mexem consigo e pode explicar porque?

Raincoats – No Side To Fall In (Raincoats, 1979):

Um amigo me apresentou o primeiro das Raincoats em vinil há uns 2 anos atrás e eu fiquei arrepiado. Como ninguém tinha me mostrado aquilo antes? Como eu não tinha descoberto? Só depois fiquei sabendo da referência do Kurt Cobain no texto do Incesticide e fez bastante sentido pra mim, porque eu amo Nirvana e tal mas o punk rock foi algo em que eu nunca me enfiei muito musicalmente. Se houve algum vislumbre foi no que há de punk em Velvet Underground ou nos Stooges, mas nunca topei mais de Sex Pistols ou de Ramones do que curtir alguns hits e ouvir uns discos esporadicamente quando era bem jovem. Só as Raincoats me fizeram entender o punk rock, ou ao menos que ele pode significar mais musicalmente do que testosterona revoltada. Essas minas que moravam em squats no final dos anos 70 e cantavam sobre a vida e sobre a música desse jeito, esse existencialismo de sobrevivência, esse desprendimento responsável.

Milton Nascimento – Para Lennon & McCartney (Milton Nascimento, 1969)

Essa canção do disco do Milton de 1969 me soa quase como uma introdução àquele universo do Clube da Esquina que vai ser construído nos anos seguintes, um universo que acho dos mais incríveis da música brasileira, que traz também uma insistência na unidade da América do Sul, uma identidade coletiva milenar da qual nós pouco sabemos atualmente. Sabemos ou intuímos alguns aspectos através desse tipo de entralaçamento de canção, poesia, música, arte, filosofia, amizade, que ocupa seu lugar criador no continente e que esse pessoal das Minas Gerais construiu com rara grandeza.

  1. Qual foi o primeiro disco que recebeu como presente, o primeiro que comprou ?

Quando eu tinha uns 6 ou 7 anos eu fiquei vidrado naquela cena de “Curtindo a vida adoidado” (Ferrys Bueller’s Day Off) em que ele canta Twist And Shout num desfile de rua. Eu queria o disco que tinha aquela música de qualquer jeito e um amigo dos meus pais me prometeu que conseguiria. Ele fez todo um teatro, e disse que estava mandando trazer de Liverpool porque aqui tinha esgotado. Quando chegou meu aniversário ele veio com uma caixa em forma de cubo enorme que não tinha nada dentro, e tive que tirar o forro de papel pra encontrar uma cópia de Please Please Me num dos lados da caixa.

Não me lembro bem qual o primeiro disco que eu comprei, provavelmente algum outro dos Beatles em CD, mas mais marcante foi o primeiro disco de música contemporânea que eu comprei e acabou sendo uma música que me influenciou bastante naquela época, que foi o K, do Kula Shaker. Eu não tinha ideia de como soaria, mas não resisti à capa, num impulso que deu certo e que me levou a ouvir mais sons que estavam sendo feitos enquanto eu vivia.

  1. Se pudesse viajar no tempo, qual época escolheria ?

Acho que iria pro século XVI, poder sentir as potencialidades dos modelos políticos em disputa naquela época, principalmente sobre um Brasil em formação, os Guarani e as missões jesuíticas, o conflito com os sertanistas e com esse modelo de violência patriarcal, de mandonismo privado que acabou se estabelecendo. Na certa eu não duraria muito por lá, talvez fosse mais sábio viajar pra daqui a uns 3 anos e meio no futuro, acho que seria um bom momento pra isso.

  1. Tem um lugar específico para compôr, um instrumento específico?

Nenhum. Em qualquer lugar estou compondo, e principalmente em trânsito, andando ou dirigindo ou pedalando. Estou sempre pensando nas canções. Arranho o violão ou o piano pra achar as notas e fixar as melodias e a métrica e depois passo um bom tempo decantando aquilo na cabeça até todos os versos saírem.

  1. Quando descobre a melodia para uma canção, como funciona, fica na sua cabeça por horas, dias, ou desaparece rapidamente ?

Com raras excessões, eu preciso gravar. Rápido. No celular ou no que tiver. Senão vai embora e já se foi muita coisa. Às vezes tenho tipo metade de um disco pronto e recorro a esses arquivos de “lalalas” ou frases soltas pra desenvolver aquelas ideias em outras canções.

  1. Tem algum novo album em preparação, um novo projecto ?

Tenho alguns, no momento, mas o tempo pra terminar tá faltando ultimamente. Tem um disco que já está pronto, de um projeto meu com o Dinho Almeida, dos Boogarins; se chama Guaxe e vai sair no segundo semestre de 2019 em vinil pela Overseas Artists Records. Tem um álbum que espero lançar ainda esse ano, feito com versos musicados de um poeta português do século XVI; um lance meio prog low-fi que já está sendo feito há uns oito anos. E tem um punhado de canções pra um novo disco de Bonifrate em que também estou trabalhando.

  1. Planejas mais discos, concertos com Supercordas ?

Acredito que possa acontecer em algum tempo, mas não temos nada definido ou conversado. É engraçado, porque tudo que estou fazendo hoje poderia muito bem ser material dos Supercordas, sabe? E outrora esse foi basicamente um projeto meu, com a contribuição de outros parceiros, em especial do Diogo Valentino, mas no fim eu mesmo acabei puxando tudo pra esse lado mais coletivo, de ser uma banda mesmo, dos músicos botarem sua cara ali. Apesar de ter enriquecido e diversificado a música, acho que isso foi uma das coisas que fez o projeto não durar mais ou não ter gravado mais discos. Eu trabalho melhor sozinho ou com poucos parceiros. Uma banda tem gente demais.

  1. Quando vem tocar aqui em França ?

Nossa! Isso não seria demais? Não sei, nunca toquei fora do Brasil. Mas nunca se sabe.

  1. Qual é a pergunta que sempre esperou durante uma entrevista mas nunca veio ?

Não saberia dizer.. acho que talvez artistas anseiem por uma curiosidade mais específica sobre o seu trabalho, no sentido de se procurar entender um álbum ou um conjunto de álbuns como uma obra que quer comunicar alguma coisa, ainda que seja diversa ou nebulosa. É raro que haja esse tipo de interesse por parte da crítica musical no caso de uma arte underground, ele acaba vindo de amigos ou pessoas que se sintonizam com a música e querem se aprofundar nos nossos meios.

  1. De que mais gostaria de falar hoje?

Difícil não falar de como boa parte da política mundial está se tornando nefasta. Estamos vivendo um atraso monumental na história do Brasil, de recrudescimento de antigos e permanentes sentimentos fascistas por parte das pessoas, de uma negação da democracia e dos aspectos democráticos da vida em comunidade, da própria política. Sei que não estamos sozinhos nessa merda, como um solidário Zizek disse a nós brasileiros há alguns meses. Há de se buscar entendimentos radicais, a meu ver, no sentido de voltarmos às raízes dos problemas que vivemos em sociedade. No nosso caso isso passa necessariamente por entendermos que vivemos uma sociedade estruturalmente escravocrata em pleno século XXI, e com nenhum caminho fácil de fuga à vista.

  1. Qual das suas canções gostaria que fosse usada para ilustrar esta entrevista ?

Guaianá Mainline (Museu de Arte Moderna, 2013).

Obrigado !

Bonifrate na Virada Cultural (SP)

maio 16, 2019

Arte Virada 2019 exp

Neste sábado Bonifrate desembarca em São Paulo para seu primeiro show na cidade em mais de 2 anos, e ainda participa de apresentações das bandas Boogarins e Bike na Virada Cultural. Veja os horários e locais abaixo.

18 de maio de 2019 – Bonifrate na Virada Cultural (SP)

20h30 – Show solo no Sesc Santana – Festival de Rock Psicodélico Brasileiro

21h30 – Participação no show do BIKE – Sesc Santana

1h – Participação no show dos Boogarins – Palco Rio Branco

 

 

Bonifrate sexta-feira no Rio de Janeiro!

fevereiro 4, 2019

whatsappimage2019-01-16at00.46.10Nesta sexta-feira, 8 de fevereiro, Bonifrate faz show solo no Aparelho, Rio de Janeiro, dividindo a noite com Marcelo Callado, também em show solo.

O repertório inclui novas canções e faixas do último EP Lady Remédios (2017) e dos últimos LPs Museu de Arte Moderna (2013) e Um futuro inteiro (2011).

A apresentação é a primeira de Bonifrate fora de Paraty, cidade onde reside, desde 2016, e a primeira no Rio de Janeiro desde 2014.

Segue o serviço completo:

Bonifrate e Marcelo Callado no Aparelho

Endereço: Praça Tiradentes, 85 – Centro – Rio de Janeiro
Horário: 22h
Entrada: R$ 15
Evento no Facebook

Vinis à venda!

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